'Apontou arma para nosso carro': Vizinhos denunciam ameaças e perseguição de policial penal em Fortaleza
25/03/2026
(Foto: Reprodução) Família denuncia ameaça de policial penal
Vizinhos de um policial penal denunciam que estão sofrendo constantes ameaças e perseguição do servidor público, no Bairro Parque Presidente Vargas, em Fortaleza. Conforme as vítimas, o agente teria apontado uma arma para o carro deles e chegou a fazer uma denúncia falsa para prejudicá-los (entenda abaixo).
Em nota, a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário do Ceará (CGD) disse que instaurou procedimento disciplinar para investigar a ocorrência no âmbito administrativo. "O processo está em trâmite, conforme ordenamento jurídico vigente", informou o órgão.
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Já a Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado do Ceará (SAP) informou que está à disposição das autoridades "para contribuir no que for necessário".
O g1 opta por não divulgar o nome do policial penal em razão das investigações contra ele estarem em estágio inicial, sem indiciamento da Polícia Civil, denúncia do Ministério Público ou alguma punição pela CGD. O servidor não foi localizado para comentar as denúncias.
'Apontou arma para nosso carro'
Polícia Militar foi até endereço dado por agente penal, mas não identificou crimes.
Reprodução/TV Verdes Mares
Em entrevista à TV Verdes Mares, a família vizinha do policial penal disse que o desentendimento iniciou em 2024. No mesmo ano, eles decidiram denunciar à polícia, mas até agora não tiveram retorno sobre o caso.
As brigas teriam se iniciado com discussões sobre barulho e entregas erradas de correspondências. O casal disse que tentou conversar com o agente, mas a situação escalou e o policial teria passado a intimidá-los com sua arma:
"Sempre quando a gente saía de casa, ele ia lá para fora com arma na cintura, sem camisa, já para nos intimidar. Teve um dia específico que a gente estava saindo de casa, de carro, minha filha estava sentada no banco de trás, quando ele abriu o portão e simplesmente apontou uma arma para o nosso carro", narra a mulher.
Segundo a denunciante, sua filha passou a ter 'pesadelos constantes' depois desta situação, se recusando a ir para a escola à pé por medo.
Falsa denúncia
Policial penal teria feito falsa denúncia para prejudicar vizinhos, em Fortaleza
Ainda de acordo com o casal, o agente penal também teria feito uma falsa denúncia para prejudicá-los. O policial teria dito que a casa da família era ponto de tráfico de drogas e que o marido mantinha a esposa em cárcere privado.
Uma equipe da Polícia Militar chegou a ir até o endereço da família no dia 14 de março deste ano para verificar a denúncia, mas, ao chegar no local, não identificou os crimes.
Leia o que diz a nota da Polícia Militar sobre a denúncia:
'A Polícia Militar do Ceará (PMCE) informa que equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) foram acionadas, no último dia 14, para averiguar uma denúncia de suposto cárcere privado e tráfico de drogas em uma residência localizada no bairro Presidente Vargas, Fortaleza.
Ao chegarem ao local, os policiais constataram que a denúncia não procedia, não sendo encontrada qualquer situação ilícita. Os moradores foram identificados e verificou-se que se tratam de cidadãos sem envolvimento com atividades criminosas.
Durante a ocorrência, os residentes relataram desentendimentos com um vizinho, apontado como policial penal, e informaram já terem registrado boletins de ocorrência e procedimento junto aos órgãos competentes em razão de supostas ameaças.
A PMCE ressalta que atua com base em denúncias recebidas, realizando as devidas verificações, e reforça a importância do uso responsável dos canais de comunicação para o acionamento das forças de segurança'.
Medo de andar pelo bairro
Enquanto aguarda a investigação, a família afirma que circula com medo pelo bairro e que se sente intimidada pela presença do policial.
"Eu fui na CGD, fui na SAP, fizemos B.O na delegacia. Só que, desde 2024, a gente não vê nenhum resultado concreto sobre esse caso", critica uma vítima.
Segundo o deninciante, o policial penal "continua do mesmo jeito, expondo a arma". "Fica difícil assim de a gente conviver com uma pessoa que era para nos proteger. A gente se sente coagido. Eu tomo remédio controlado agora por causa dele, não consigo dormir à noite. Espero que as autoridades tomem providência", completou.
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